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 História: Kosovo - a Guerra nos Balcăs Página Principal  

Manual da guerra

As perguntas e respostas para entender o essencial do conflito entre sérvios e albaneses na península dos Bálcãs

 

1. O que é a guerra de Kosovo?

É a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte, por meio de bombardeios aéreos na Iugoslávia, para interromper a expulsão de albaneses étnicos de Kosovo pelas forças da Sérvia.

 

2. O que é a Sérvia?

É a principal república que forma, junto com Montenegro, a atual República Federal da Iugoslávia.

 

3. O que é Kosovo?

É uma região da Sérvia habitada majoritariamente por pessoas de origem albanesa.

 

4. O que são albaneses étnicos?

Trata-se de pessoas de origem albanesa que falam albanês e são muçulmanas. Não são cidadãos da Albânia. Em Kosovo, os albaneses étnicos representam mais de 80% da população, e na Macedônia, cerca de um terço.

 

5. Por que os sérvios acham que têm direito sobre Kosovo?

Porque Kosovo e a região sul da atual Sérvia eram o território original da nação sérvia na Idade Média. Os sérvios saíram de lá para fugir da dominação turca, que durou do século 14 ao 19.

 

6. Por que os albaneses acham que têm direito sobre Kosovo?

Há três justificativas. 1. Existem albaneses em Kosovo desde o tempo do domínio turco. A atual presença albanesa começou na Segunda Guerra, quando os fascistas italianos, que controlavam a Albânia, os estabeleceram em Kosovo. 2. Albaneses consideram-se descendentes dos ilírios, que ocuparam toda a região na Antiguidade. Cientificamente não há base suficiente para sustentar essa tese. 3. Eles são majoritários hoje e tinham autonomia durante a Iugoslávia comunista.

 

7. Por que começou a guerra?

Em 1989, com o fim da Iugoslávia comunista, o presidente sérvio, Slobodan Milosevic, retirou a autonomia dos albaneses de Kosovo. A tensão foi crescendo até o surgimento do Exército de Libertação de Kosovo, guerrilha albanesa, há cerca de dois anos. No ano passado a Sérvia decidiu agir pesadamente contra o ELK. Acusações de que estariam ocorrendo expulsão e massacre de civis albaneses levaram à intervenção da Otan, iniciada em 24 de março passado.

 

8. O que é o Exército de Libertação de Kosovo?

É um grupo guerrilheiro de albaneses de Kosovo que luta pela independência da região ou sua unificação com a Albânia. O ELK é acusado de ser extremamente violento e financiado por narcotraficantes. Suas armas são contrabandeadas da Albânia.

 

9. O que é limpeza étnica?

É a tática usada por países que dominam uma região para retirar uma etnia ou torná-la minoritária nessa mesma área. A população original é morta, forçada a sair ou a que quer tornar-se majoritária muda-se em massa para a região. A Sérvia usou todas essas técnicas na guerra da Bósnia. Utilizou também o estupro como forma de aterrorizar a etnia visada.

 

10. O que é guerra cirúrgica?

A Otan chama de guerra cirúrgica o bombardeio de alvos estratégicos como instalações militares, governamentais ou industriais, com armas sofisticadas como mísseis guiados por satélites ou bombas orientadas por laser, cuja precisão diminuiria, em tese, o número de civis mortos.

 

11. O que é a Otan?

É a aliança militar que une EUA, Canadá e países europeus. Ela foi fundada em 1949 para proteger o Ocidente do comunismo. Desde o fim da Guerra Fria, mudou seu caráter defensivo e ampliou-se com a adesão de países ex-comunistas: República Tcheca, Polônia e Hungria.

 

12. Por que os russos são contra a intervenção da Otan?

Para eles, qualquer intervenção deveria ser feita pela ONU, e não pela OTAN. Além disso, russos são tradicionais aliados dos sérvios por ter fortes laços culturais e religiosos: ambos são povos eslavos e cristãos ortodoxos.

 

O berço das guerras

 

Erros da Otan matam refugiados albaneses na região da Europa que desencadeou a Primeira Guerra e fecha este século com novo conflito sangrento como resposta a um assassinato cometido por ultranacionalistas sérvios, o ultimato do poderoso império dava ao governo de Belgrado apenas 48 horas para deixar que tropas estrangeiras controlassem parte de seu território. Isso é inaceitável, teimou a obstinada liderança sérvia - e foi pedir ajuda à irmã Rússia. Em um mês, a Europa inteira estava em guerra. Parece tudo muito familiar ao que está ocorrendo desde 24 de março, dia em que os sérvios começaram a ser bombardeados pela Otan, o pacto militar mais forte do planeta. Mas os eventos citados acima são de 1914, ano em que a Sérvia entrou para a história como o berço de todas as guerras. Os tiros com os quais um nacionalista sérvio matou em Sarajevo o casal de príncipes austríacos (os herdeiros do império contra o qual os sérvios então lutavam) valem até hoje como os estampidos iniciais da Primeira Guerra Mundial - o evento que liquidou quatro impérios, mudou o mundo e inaugurou o século das piores barbaridades, matanças, atrocidades e genocídio de toda a história humana.

 

"Vamos atacar os sérvios até que eles se dobrem", dizia, em 1914, o imperador alemão, numa frase recitada oito décadas e meia depois por líderes democraticamente eleitos, inclusive na Alemanha. Se Karl Marx pudesse olhar hoje para os Bálcãs, região onde os sérvios são um dos principais contingentes, poderia ter dito que a história se repete não só como farsa mas também como tragédia. Nas guerras de independência do começo do século, ficou famoso um muro, construído por turcos, com as cabeças decepadas de sérvios. As piores atrocidades, porém, os habitantes dos Bálcãs sempre infligiram uns aos outros: a vingança sérvia depois da Segunda Guerra Mundial (quando foram massacrados sobretudo por alemães e croatas) incluiu ataques indiscriminados contra civis, milhares de execuções sumárias e deportações em massa - que ainda não se chamavam, como hoje, de "limpeza étnica".

 

Leia trechos de bate-papo online com sérvios e albaneses

 

Dejan Pavlovich, Skopje, Macedônia

Daniela Mesaroski, Zrenjanin, 70km de Belgrado

Biljana Tasevska, Kumanovo, Macedônia

O ódio de sérvios contra albaneses, que eram até 24 de março mais de 80% da população de Kosovo (região de grande significado histórico para os sérvios), é bem antigo e exemplar para a totalidade dos Bálcãs. Sérvios e albaneses têm identidades distintas, marcadas por culturas, religiões (cristãos ortodoxos contra muçulmanos) e, principalmente, por mitos nacionalistas diferentes. O primeiro massacre sérvio contra albaneses data de 1912 e foi pelo domínio de Kosovo. Por sua vez, como integrantes da aliança entre italianos e alemães na Segunda Guerra (a Albânia era um protetorado da Itália), albaneses estiveram em uma divisão SS, a Skandenberg, responsável pela limpeza étnica de povoados sérvios em Kosovo - é quase impossível saber quem começou a matar quem nos Bálcãs.

 

Mesmo assim, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, acha que os ataques da Otan contra os sérvios formam o que ele chama de "um novo tipo de guerra", aquela feita por um princípio: punir ditadores como o sérvio Slobodan Milosevic, arquiteto das atuais limpezas étnicas nos Bálcãs, e evitar catástrofes humanitárias. Provavelmente com esses princípios na cabeça, mas com a visão deteriorada por nuvens baixas, o piloto americano de um moderno caça supersônico do tipo F-16D patrulhava os céus de Kosovo quase junto da fronteira com a Albânia, na quarta-feira 14. Era de tarde e, mesmo voando a mais de 4 mil metros de altitude (para evitar tiros de armas leves e mísseis terra-ar carregados nos ombros), o piloto da Otan podia ver a fumaça dos povoados albaneses incendiados por tropas do Exército e polícia servias. Numa estrada estreita próxima da cidade de Djakovica, o piloto "viu" (através de modernos sensores infravermelhos instalados nas asas do avião que detectam fontes de calor no solo e as "interpretam", projetando a imagem no visor do capacete) uma coluna de veículos que pareciam militares. "Tomei uma decisão", disse o piloto, não identificado. "Julgando que eram os responsáveis pelo incêndio dos povoados, iluminei o primeiro veículo com meu facho de raio laser e disparei uma bomba, que o destruiu."

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Josemar Paraguassú Júnior