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Literatura: Iracema

 

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Enredo

É a história do nascimento do primeiro brasileiro. Martim, colonizador português, torna-se amigo de Poti, chefe potiguara. Andando pelo interior, Martim é flechado por Iracema, índia tabajara. Martim é levado para a cabana do chefe indígena, com um ferimento na testa. Como já era noite, o português dormiria entre os tabajaras e, no dia seguinte, voltaria para junto de Poti.

Naquela noite, Iracema devia dar aos guerreiros a poção mágica que lhes possibilitaria belos sonhos, Martim bebe e sonha que possui Iracema. No dia seguinte, Martim deve partir. Nesse meio tempo, os potiguaras saem à procura de Martim. A fim de evitar o encontro das duas tribos inimigas, Martim pede a Iracema, que o acompanhava, que retorne, ocasião em que ela diz não poder voltar, pois o sonho de Martim fora real; ela não era mais a "virgem de Tupã".

Encontraram-se as duas tribos. Os tabajaras são vencidos. Martim leva Iracema e passa a viver próximo à tribo potiguara. O português, no entanto, tinha como trabalho zelar pelas fronteiras litorâneas. Saía, muitas vezes, deixando Iracema só. Um dia, a convite de Poti, saiu a fim de combater os tupinambás, que tentavam invadir o litoral.

Demorou-se longo tempo. Quando regressou, encontrou Iracema agonizante. Imaginava a índia que Martim a houvesse esquecido. Entrega-lhe o filho Moacir (em tupi, "o filho da dor") e morre. Martim leva a criança para Portugal.

 

Apresentação

Obedecendo a um projeto de idealização bem ao gosto do Romantismo, o autor faz a apresentação da personagem central de forma rica, através de uma preciosa imaginação. A linguagem extremamente metafórica se ajusta a identificação da inocência indígena, símbolo das terras virgens da América.

"Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos. lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros, que a asa da graúna. E mais longo que seu talhe de palmeira. O favo de jati não era doce como seu sorriso,- nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as. matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. "

Enquanto descansava, Iracema percebeu a presença de um desconhecido. A morena virgem flechou o estranho, porém mais adiante se arrependeu da mágoa que causara. O encontro de Iracema com Martim pode ser interpretado como choque entre o selvagem brasileiro e o homem europeu. E o primeiro contato da natureza exuberante (o legado indígena) com a cultura superior.

 

Estilo

Neste romance, o autor obteve uma perfeita adequação do enredo ao projeto indianista; as características gerais do Romantismo europeu são traduzidas literariamente numa mitologia indígena-nacionalista, para representar as origens do pais e seu processo de colonização. É também o mito do bem selvagem, é o mito da brasilidade, é o mito poético da origem dos cearenses. É tradição oral, lenda, uma narrativa de amor sem final feliz.

José de Alencar criou, com base mais lendária do que histórica, o mundo poético e heróico de nossas origens, para afirmar a nossa nacionalidade, para provar a existência de nossas raízes legitimamente americanas. Como diz Afrânio Peixoto: "Não foi, pois, sem emoção, que descobri nesse "Iracema" o anagrama de "América", símbolo secreto do romance de Alencar, que é o poema definidor de nossas origens, histórica, étnica e sociologicamente.

 

Linguagem

O aspecto mais importante e inovador de IRACEMA é a linguagem bem elaborada. As frases têm um ritmo ondulatório e uma musicalidade intrínseca à expressão poética. Predomina a conotação, sucessão de imagens que o leitor deve decodificar para apreender o significado do texto. Além disso, o autor rompeu com padrões estilísticos e gramaticais portugueses, sobretudo pela excessiva utilização de tupinismos (vocabulário tupi).