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Literatura: Morte e Vida Severina - João Melo Neto

 

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Morte e vida severina é um belíssimo exemplo de peça literária perfeita, em que forma, conteúdo e linguagem compõem um conjunto harmonioso e indissociável. Ao abordar a injusta distribuição de riquezas que caracteriza secularmente a nossa sociedade (com particular ênfase para a questão agrária), João Cabral revira o nosso passado colonial com suas estruturas de herança medieval (concentração da riqueza, grandes propriedades, patriarcalismo, teocentrismo, etc.). Significativa é a caracterização do coronel (ou latifundiário, ou remanescente do feudalismo): "por causa de um coronel / que se chamou Zacarias / e que foi o mais antigo / senhor desta sesmaria".

Temos, assim, uma remissão às origens dos nossos problemas agrários e, mais remotamente, à lusitana lei das sesmarias de D. Ferrando, em fins da Idade Média. Por isso mesmo, João Cabral segue um modelo medieval de poesia: constrói um auto (poema narrativo para ser representado, de tradição medieval, forte religiosidade e linguagem popular), com versos curtos e ritmados, lembrando um poema de cordel.

O poema apresenta várias passagens ou cenas, etapas na longa caminhada do retirante Severino, que sai em busca da vida, caminhando em direção ao mar e atravessando as regiões típicas dos estados nordestinos: o sertão, o agreste, a zona da mata, a cidade litorânea.