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Literatura: Herberto Sales: Pareceres do Tempo

 

O Campeonato

 

Todos nós, animais de sangue quente, sabemos que tudo vai acabar.

No Hotel Aldebaran se realizava o grande campeonato (não oficial) de conjunção carnal. Uma atividade que devia ser comum a todos os seres humanos, mas estava circunscrita aos profissionais.

Ao ser contratado, eu não me incomodava com isso. Eu vivia de arbitrar os últimos grandes confrontos de nossa natureza primitiva e não podia perder tempo com reflexões filosóficas.

O campeonato de conjunção carnal tinha sido declarado fora da lei. Mas isso não impediu o encontro não oficial entre Miro Palor (rima com valor) e Maurição Chango (rima com tango). E ninguém melhor do que eu para contar a história desse extraordinário acontecimento.

Meu nome é Açoreano, Mediador de profissão. Sou honesto, organizado, soberbo e de maus humores.

Minha última arbitragem, antes que J. R, me chamasse, ocorrera no concurso entre os renomados gourmets Vinícius Pensil e Aniceto Martorelli, tendo este ingerido, na minha frente, um quilo de salmão canadense defumado, 500 gramas de scargots à provençale, 300 gramas de caviar negro do mar Cáspio, 400 gramas de trutas meunière, 900 gramas de faisão à façondu chef, 500 gramas de paté truffé de Strasbourg, duas garrafas de Trockenbeerenauslesen, duas garrafas de Château-Latour (grand millésime) e meia jaca, de 750 gramas. Um mártir do joie vivre. Na sua inumação discursou sua exa. O desembargador de Alçada Uchoa, presidente de honra da Real Sociedade Gastronômica, de cuja sede saiu o féretro. De todos os gastrônomos que conheci, nos vários concursos que arbitrei, Aniceto teve a morte mais gloriosa. Explodiu numa monumental congestão, no momento exato de ser proclamado vencedor, ainda no fragor entusiasmado do aplauso unânime dos assistentes, logo após engolir o último gomo de jaca.

O campeonato de conjunção carnal estava proibido. Uma comissão de sábios de alto nível investigava os seus efeitos sobre o desenvolvimento psicossocial dos jovens.

O último campeão era esse homem magro, calvo, nervoso, chamado Miro Palor.

Uma tarde, na sauna do Hotel Superpalace, Palor encontrou-se com um indivíduo musculoso e grande, chamado Maurição Chango. Palor era o recordista oficial, com quatorze conjunções em vinte e quatro horas. Maurição, ao avistar Palor, abriu os braços, bateu com força no peito musculoso e, na frente de todos que estavam lá - Gorki, o Corretor Autorizado; M. Ribas, Reserva de Segunda; o Atacadista Zamir Jacob; o Médico Axelrud; o Executivo J. R., que foi quem me contratou -, e perante essa gente toda disse ''faço mais do que isso''. ''Mais de quatorze, em vinte e quatro horas?'', o pessoal se espantou. Só Palor continuou quieto, no seu canto da sauna, como se nada fosse com ele, imperturbável, sabendo talvez que o destino do campeão é ser desafiado sem trégua. Então J. R. propôs um campeonato mundial de conjunção carnal, não oficial.

Foram falar com Palor. O recordista, com a mão no queixo, olhando para o chão, disse ''este cavalheiro não tem cartel para me desafiar''. J. R., o Executivo, garantiu que financiava todo o evento, oferecendo ainda uma bolsa de quinhentos mil, livre de encargos fiscais. Era difícil resistir, Palor aceitou.

Havia o problema da supervisão do concurso. A Confederação Nacional Desportiva de Conjunção Carnal estava em recesso. O campeonato, apesar de realizado secretamente, teria que ser fiscalizado. Então J. R. mandou me chamar e eu vim, todo vestido de preto, com os meus dois assistentes, e perante os organizadores disse "minhas decisões são incontestáveis, quero carte blanche, eu sou o Açoreano, comigo ninguém discute, eu sou a Lei e o Juiz".

No jargão utilizado por juristas & rábulas na redação de contratos e outros instrumentos legais, lavrei o regulamento da competição, que em tradução livre daria mais ou menos isto: Das doze horas de sábado às doze horas de domingo, o contendor que realizar o maior número de conjunções carnais será considerado vencedor. Os contendores permanecerão cada um em seu quarto, assistidos por um dos meus fiscais, até mesmo ao fazerem suas necessidades fisiológicas menos nobres. Como estimulantes extras, somente poderão ser utilizados recursos audiovisuais, compreendidos filmes mudos e sonoros, em cor e black & white, projeção de slides e material impresso. É proibida a colaboração de terceiros, qualquer que seja. Além do contendor, do fiscal e da parceira, que poderá ser trocada após cada conjunção, ninguém mais entrará nos respectivos quartos durante as vinte e quatro horas da disputa. Eu poderei entrar na hora que bem entender, como Árbitro Inconteste. É proibido o uso de estimulantes conhecidos como neo-afrodisíacos. São proibidos os eletrodomésticos. Somente será computada a conjunção que obedecer cumulativamente aos seguintes quesitos: introdução vaginal do pênis, não importa o tempo de seu transcurso, seguida de emissio seminis, também intra vas, mínimo de meio centímetro cúbico. Copula genitalis. Qualquer infração será levada ao conhecimento do Árbitro Inconteste, que poderá, a seu juízo, desclassificar in limine o infrator, adjudicando a bolsa ao outro contendor.

Nota: Em nossa sociedade, o orgasmo resultante de conjunção carnal simples tinha uma incidência estatística muito baixa. As pessoas normais, ou, mais precisamente, a maioria das pessoas, usavam eletrodomésticos, ou então, aqueles cidadãos mais sofisticados valiam-se dos coadjuvantes psicoquímicos sutis denominados realizadores simbólicos, que permitiam o auto-êxtase.

Providenciei o aluguel de um pequeno hotel na orla marítima, o Aldebaran, para a realização do campeonato. Nos quartos foram instalados equipamentos para transmissão de Tv em circuito fechado; no living principal foram colocados dois vídeos de duzentas polegadas, para os apostadores poderem acompanhar os principais lances da porfia.

O canter (apresentação dos concorrentes) foi marcado para as dez horas da manhã de sábado. Cada concorrente credenciou um assessor, ou segundo. Maurição indicou Gorki, e Palar apresentou Ursinho Meireles, mestre em artes e tecnitrônica.

Os assessores foram incumbidos do planejamento tático e estratégico das respectivas campanhas. Basicamente os dois planejamentos obedeciam a parâmetros semelhantes, adotando a mesma sistemática e metodologia. Os itens principais eram:

1) as parceiras, seu recrutamento, contratação, concentração e hierarquização; 2) os recursos audiovisuais - filmes, slides, posters, gráficos, música & ruído, display e análise de feedback; 3) a alimentação, que consistia no balanceamento de rações e fixação de critérios nutrientes adequados; e, finalmente, 4) o entretenimento, que abrangia jogos táteis, comics, sheepcoun- ting e pseudo-onfalopsiquismo. Foram previstas, em ambos os planos, as variáveis possíveis, em hipóteses centrais e secundárias.

Uma hora antes do cantor, Ursinho Meireles distribuiu informações sobre as parceiras de Palor. Eram quinze, todas com as medidas regulares estabelecidas pela Sociedade Nacional de Normas Biométricas, isto é, dotadas de perfeita relação de proporção entre altura, peso, centimetragem da cintura, da coxa, do busto, dos quadris, do pescoço e do tornozelo. Três tinham epiderme negra; quatro, epiderme parda de variados tons; três, epiderme branca e pêlos louros autênticos; quatro, epiderme branca e pêlos negros ou castanho-escuros e finalmente uma de etnia asiática definida. A mais nova tinha quinze anos e a mais velha vinte e seis (idade média: dezoito anos e seis meses). A mais baixa (a chinesa) tinha 1,50 de altura e a mais alta 1,77 (altura média: 1,66). A mais magra (ainda a chinesa) pesava 39 quilos e a mais gorda 61 quilos (peso médio: 51,2 quilos).

Gorki não forneceu informações sobre as parceiras de Maurição. Iríamos vê-las durante as conjunções.

Sábado, às dez horas, começou o canter. No living principal do Aidebaran estavam oitenta e seis pessoas importantes, a maioria do sexo feminino.

Ouvi a próspera escritora Eudora Biinis dizer alto, para o grupo de pessoas ricamente vestidas que a acompanhava, ''adoro o primitivismo, a brutalidade, a naiveté, a candura e a crueldade desse tipo de porfia heterossexuai".

Maurição e Palor desfilaram sem roupa, postando-se, ao fim, cada um em seu pedestal para que os apostadores pudessem examinar atentamente, além da postura, outros sinais mais íntimos de aptidão & vocação.

Eu ouvia as frases no ar. "Atenção para os músculos lombodorsocervicais de Palor, indício de robusta disposição'', disse o médico Axeirud.

"As peças dos dois não são grande coisa'', afirmou um homem pálido, vestido de pierrô.

''Há que temer a respiração abdominal profunda de Maurição", disse um dos Apostadores do Sul.

''Quero ver o brilho dos olhos deles, tudo está aqui!'', exclamou uma mulher de macacão negro batendo com força na própria testa.

Nota: A impotência coeundi deixou de ser, como no século passado, uma doença social. A neurose, a angústia, a frustração têm outra etiologia.

Gorki, após a saída dos disputantes, anunciou que Maurição empregaria os seguintes recursos audiovisuais: cinco filmes dinamarqueses sonoros, em cor, um deles baseado na vida de Albert Fish, o conhecido canibal americano; quatro posters, um sintetizador erótico 9009, de sexta geração; dez revistas olfativas; coleção de cem slides, projetados em aparelho dotado do sistema instant-swap-with-dissolve, que permitia mudar rapidamente a posição das figuras, e um jogo de espelhos multivisão.

"Foi analisada a correlação estímulo-resposta desses elementos", acrescentou Gorki, "sendo excelente o resultado. Dificilmente Palor poderá acompanhar o ritmo de Maurição. Não vai ter nem graça".

Os torcedores de Maurição manifestaram com vibração sua alegria e eu gritei "silêncio! silêncio! isto não é um circo, colocarei fora do recinto aqueles que atentarem contra o decoro com gritos e assobios", e logo todos se calaram.

Ursinho Meireles subiu no pedestal onde até há pouco estivera Palor.

"Nós não vamos, como andaram dizendo neste salão, usar a metodologia clássica. Dos processos acadêmicos, o único que Miro Palor talvez use será o pseudo-onfalopsiquismo. Nossa estratégia, de grande singeleza, é baseada em três princípios. Primeiro, o ritmo progressivo parabólico com ponta de carga coincidente, uma técnica 4esenvolvida por Palor na ocasião em que disputou e venceu o campeonato da região Sudeste. Palor introduzirá no processo algumas modificações, para melhorar ainda mais o seu rendimento, e uma coisa eu garanto: nestas vinte e quatro horas, Palor dormirá pelo menos oito. Como disse Shakespeare, sleep, balm of hurt minds, great nature's second course, chief nourisher in life's feast".

Ursinho Meireles era um homem de cultura clássica e não foi aquela a única citação de seu autor favorito.

''O segundo princípio básico da estratégia de Palor é a alimentação'', disse Ursinho. ''Constará de ostras com limão, carne crua, leite gelado, ovos de tucano quentes. Nada de álcool. Como disse Shakespeare, alcohol raises the desire, but spoils the performance." Finalmente Ursinho encerrou sua locução dizendo que o último princípio básico era a meditação.

"Palor, entre uma conjunção e outra, meditará o tempo necessário para livrar-se dos condicionamentos polissêmicos repressivos multiestratificados. O ser humano é um animal e deve fazer tudo para manter sua pureza de instintos. Como disse Shakespeare, what a piece of work is man.., the beauty of the world! the paragon of animals!"

Quando Ursinho acabou, os apostadores, já impacientes, apesar de ainda faltarem quinze minutos para as doze horas, tentaram fazer outra manifestação grosseira de aplauso, por mim coibida com a expulsão de meia dúzia de exaltados.

Às doze em ponto começou o confronto.

Verifiquei que Palor não estava usando a tela antisséptica entre ele e a parceira.

"Não vais usar a tela?", perguntei.

Da cama, Palor, iniciando a conjunção, disse, "não senhor''.

Imediatamente a platéia, que tudo via e ouvia, ficou paralisada. Ninguém praticava a conjunção carnal sem tela antisséptica e, portanto, hipóteses começaram a ser levantadas, inclusive por mim. Estaria Palor apelando para a depravação, no sentido de uma volta ao passado, quando as pessoas tinham cheiro & bactéria? Ou, mancomunado com algum Apostador do Sul, fingia um efeito suicida? Ou acabara de inventar uma nova técnica, um breakthrough indecodável?

Nota: Quando inventaram o enzima U-2, que tirou o cheiro das fezes, o poeta J. O. Matos criou sua famosa ode: "o fedor, o calor, o amor, o fervor - eis o homem que acabou''. Palor terminou sua primeira conjunção em 45 segundos, e seu volume seminal foi de meio centímetro cúbico exato.

Maurição terminou em um minuto e doze segundos, e seu volume seminal foi de um centímetro.

Quando acabei de anunciar os números de Palor, houve gritos de espanto e aplausos que eu, também impressionado com o desempenho do campeão, deixei passar. Era recorde de volume para primeira etapa, só mesmo um campeão seguro e confiante se arriscaria a ser desclassificado emitindo exatamente o volume mínimo previsto no regulamento. Quanto menos sêmen o contendor gastasse, mais sobraria para novas conjunções.

O sêmen era ejaculado em condons especiais, colocados nas peças dos contendores. Meus assistentes, após cada conjunção, retiravam os condons e mediam, num aparelho chamado jismeter, a quantidade de líquido encontrado. Em seguida, técnicos examinavam o sêmen num pequeno laboratório que eu mandara instalar no hotel.

Um boletim foi publicado pelo laboratorista, com as características do meio centímetro de Palor: Cor - branco opalescente. Peso específico, 1,028; pH, 7,50. Presença de frutose, fosforicolina, ergotionina, ácido ascórbico, espermina, ácidu cítrico, colesterul, fosfolípides, fibrinolisina, fibrinogenase, fosfato, bicarbonato, prostaglandina, hialuronidase. E quinhentos milhões de espermatozóides.

Maurição iniciou a segunda etapa às doze horas e quinze minutos, ou seja, treze minutos e 48 segundos após terminar a primeira conjunção. Seu tempo de duração baixou para um minuto, e o volume também foi menor, 750 milímetros.

''Eu disse a ele que controlasse sua natureza copiosa'', informou Gorki aos apostadores, ''Maurição tem muito a dar, mas neste jogo não se pode ser pródigo".

Palor iniciou sua segunda etapa às treze horas e 45 minutos, precisamente uma hora após completar a primeira. Durante essa hora de intervalo manteve-se sentado na clássica posição dos adeptos de Tabor, contemplando fixamente o umbigo. Palor baixou o tempo para trinta segundos e manteve o volume

de quinhentos milímetros. Um prodígio de domínio psicossomático.

Às dezoito horas Maurição havia completado oito conjunções e Palor completara quatro. 'tempo médio de Maurição: um minuto e dois segundos. Tempo médio de Palor: 48 segundos ! Volume médio de Maurição: 800 milímetros. Volume médio de Palor: 522 milímetros cúbicos.

Maurição estava na posição supina, fones do sintetizador no ouvido para estimulá-lo, uma mulher de olhos verdes como parceira, quando entrei no quarto. Neste instante ele ejaculou, fazendo uma careta feia como se tivesse levado um golpe violento nos testículos. Meu assistente removeu o condon onerado, cuidadosamente.

"Quanto tempo? ", perguntou Maurição ao meu assistente.

"Dez minutos", disse o assistente.

"Dez minutos!", disse Maurição, aflito.

Palor estava só, em seu quarto.

"Podemos desligar os microfones, deixar só a imagem?''

''De acordo com o regulamento não é possível, os apostadores devem ver e ouvir tudo", eu disse.

"Então eles que ouçam", disse Palor.

"Eu vou ganhar esse campeonato'', Palor disse depois de breve reflexão. ''Você entende que todos os campeonatos buscam apenas preservar a nossa natureza animal? Não podemos deixar de ser um animal. Não somos um inseto! Somos um animal! Ouviram, apostadores? acordem, apostadores! Nós somos animais! "

Olhando para Palor, vi que ele sabia que estava acabando. Esse é o destino de todos, de sangue quente, saber que estão acabando.

"Estamos presenciando'', disse Palor, "o grande instante final da conjunção carnal. O formigueiro nos espera. Você me entende?''

Respondi que entendia.

''O amor está acabando, porque o amor só existe por sermos animais de sangue quente. E hoje estamos finalmente representando o último poético circo da alegria de foder, que tenta opor as vibrações do corpo à ordem e ao progresso, aos coadjuvantes psicoquímicos e aos eletrodomésticos. A vocação do ser humano é ser humano. Não é ser organizado, nem fértil, nem ter o estômago cheio nas horas certas, nem ter como ideal o paraíso de uma placenta infinita." Palor ganhou o campeonato. Efetuou quinze conjunções carnais, nas vinte e quatro horas, batendo o seu próprio recorde.

Maurição completou apenas dez conjunções.

Ao me despedir de Palor, no Aldebaran vazio, eu disse:

"Vamos nos ver novamente?"

"Não sei. Acho que não", disse Palor.

O Governo oficializou novamente os campeonatos. Já se passaram muitos anos e eu nunca mais vi Palor. Nem eu nem ninguém. Seu recorde nunca foi batido. É verdade que este tipo de esporte deixou de ser praticado já há algum tempo. Ninguém mais se emociona com ele, aqui no formigueiro.

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Rubem Fonseca: Frases

"Adote uma árvore e mate uma criança"

"O ser humano, alguém já disse, ainda é afetado por tudo aquilo que o relembra inequivocamente de sua natureza animal"

"A metáfora surgiu por isso, para nosso avós não terem de dizer - foder. Eles dormiam com fazer o amor ( às vezes em francês ), praticavam relações, congresso sexual, conjunção carnal, coito, cópula, faziam tudo só não fodiam."

"Para entender a natureza humana, é preciso que todos os artistas desxcomunguem o corpo, investiguem, de maneira que só nós sabemos fazer, ao contrário dos cientistas, as ainda secretas e obscuras relações entre o corpo e a mente, esmiucem o funcionamento do animal em todas as suas interações."

"Entre os meus leitores existem também os que são tão idiotas quanto os legumes humanos que passam todas as horas de lazer olhando televisão."